sexta-feira, 19 de junho de 2009

Percepções

Parte 7.

Seus sentidos destilavam-se meio ao caos de suas percepções e não suportava respirar, procurava, contudo seus esforços eram insuficientes, e permanecia a buscar o ar, mas este ato lhe fugira da memória, havia se esquecido de como se sobrevive. Concentrou-se o máximo que pode, seu olhar atormentado tentava focar o rosto simpático de um homem que persistia manter uma conversa, entretanto só conseguia olhar para o extenso corredor iluminado todo branco. Uma lágrima escorreu levemente pelo seu rosto, como uma lâmina afiada, tirando-lhe toda força de sua alma. Olívia recuperou o ar e pela primeira vez desde sua chegada conseguiu encarar o médico.
-Não há nenhum motivo para permanecer se não puder tê-lo mais uma vez.
-Preciso que aguarde uns minutos. –O médico tentou acalmá-la. –Tem de confiar em mim.
-Eu preciso... –Olívia sentiu o ar lhe fugindo novamente. –Você tem de me dizer que ficará tudo bem, me diga que ele ficará bem!
-Respire. –Abaixando-se para encarar Olívia sob um olhar gentil e determinado. –Você tem que acreditar, pois vou fazer o melhor, e sou o melhor no que faço, entendeu?
Olívia apenas assentiu com a cabeça.
-Quer que liguem para alguém?
-Salve-o! –Olívia berrava assustando aqueles que aguardavam, mas não podia suportar, não conseguia manter-se de pé, era uma dor inimaginável que lhe domava a essência. –Apenas, o traga de volta para mim.
-Você o terá de volta, e isso é uma promessa! –O médico segurou suas mãos. –E eu não sou um homem de promessas, mas esta eu faço por você.
Olívia o viu se afastando e sumindo no corredor branco. Uma melodia sem acordes, feita de silêncio, sentia seu coração bater forte em seu peito. Fechou os olhos, permitindo uma nova lágrima corta-lhe a face, destruída de sentidos mergulhava em suas lembranças e apenas tentava manter-se respirando.

Continua...

Um comentário:

  1. pois vou fazer o melhor, e sou o melhor no que faço. > Uma palvra, HOUSE.

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Um trecho a mais.